Brasil Contra a Pedofilia

Em defesa da infância e adolescência

Arquivo por abril, 2008


Decrin vai investigar comunidades no Orkut que tratam do caso Isabella.

A delegacia de Repressão a Crimes da Informática (Decrin) vai investigar a criação de comunidades no Orkut que tratam do caso Isabella Nardoni de forma desrespeitosa. Algumas fazem brincadeiras de mau gosto. O delegado Antenor Lopes Martins Junior, titular da Decrin, afirmou que se for constatada apologia ao crime, determinará que o Orkut retire a comunidade do ar. O delegado informou que um dia após a morte de Isabella, uma comunidade do mesmo gênero havia sido criada. Depois de descoberta pela Decrin, foi tirada do ar.

Existem cerca de 800 comunidades dedicadas ao luto pela morte da menina, que foi jogada do sexto andar do prédio onde seu pai e madrasta moravam na zona norte de São Paulo. Mas entre elas, algumas fazem comentários de mau gosto e até piadas com o caso. Uma dessas comunidades, tem mais de 1.300 membros, muitos deles com perfis (identidades dos usuários) falsos, assim como a de seus moderadores.

Apesar de já ter sido tirada do ar após ser denunciada, seus moderadores conseguiram driblar a censura e a recolocaram no Orkut. Entre os comentários, há usuários indignados com o que se diz sobre o caso. Também no YouTube, entre os mais de 500 vídeos em homenagem à menina, há pelo menos um com imagens desrespeitosas.

Fonte: O Globo Online

Mãe é acusada de “ceder” filhos para festas de pedófilos.

Três irmãos italianos, todos com menos de 10 anos, sofriam abusos sexuais durante festas de pedófilos realizadas com a participação da própria mãe em Palermo, informou o Corriere della Sera.

A polícia local prendeu quatro pessoas envolvidas no caso, entre elas a mãe das crianças, que tem 30 anos, um adolescente de 17 anos e dois adultos.

A investigação começou depois que uma das vítimas contou o seu drama ao Serviço de Neuropsiquiatria Infantil da região.

Segundo as informações, a mãe teria o hábito de levar os três filhos até a residência de um casal de 25 e 24 anos - ambos estão entre os detidos. No local, aconteriam jogos eróticos, nos quais os pequenos sofriam os abusos.

A principal vítima era a menina, enquanto os irmãos eram apenas obrigados a assistir os abusos na maioria das vezes. Além dos jogos eróticos, os adultos costumavam usar drogas diante das crianças.

Fonte: Terra

Mototaxistas presos por corrupção de adolescente.

Seis mototaxistas foram detidos nesta manhã no município de Jaqueira, na Mata Sul, suspeitos de manter relações sexuais com uma adolescente de 14 anos. Segundo a polícia, os suspeitos têm entre 18 e 30 anos e desde março estão sendo investigados pela polícia. Os seis foram indiciados por corrupção de menores.
Eles foram encaminhados para a detenção pública de Palmares, também na Mata Sul.

A polícia chegou até o caso depois que o pai da vítima deu queixa na delegacia e disse que a menina era assediada desde o começo do ano. Mesmo tendo apresentado a queixa, o pai da vítima foi autuado por abandono.

Fonte: Pernambuco.com

Adolescente revela que violentou menina de Jardim.

Luana

Luana foi estuprada e morta por estrangulamento

Sob forte esquema de segurança, no Fórum Hermes Parahyba, em Juazeiro do Norte, foi interrogado, nesta quarta-feira (30),  o adolescente de 17 anos acusado de participar, juntamente com Genival Santos da Silva, 22, o “Alemão”, do  estupro e assassinato da menina Luana de Jesus Amorim Miranda, de  4 anos, no último dia 21, no Município de Jardim. Ela foi morta por meio de estrangulamento.

No primeiro depoimento, um dia depois do crime, o adolescente confessou ter segurando a criança e ‘Alemão’ tê-la estuprado. Alegou ainda que não manteve relações sexuais com a criança por estar com uma doença venérea. Nesta quarta, disse ter mantido relações por cerca de 20 minutos com a vítima.

O fórum ficou lotado. O adolescente será encaminhado ao Juizado de Crianças e Adolescentes da capital. Em Jardim, o clima é de revolta e a população quer  justiça para o caso que teve repercussão nacional.

Fonte: Diário do Nordeste

Leia mais sobre esse caso, clicando, aqui.

Secretaria de Comunicação Social propõe propaganda de bebida da TV só após 21h.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, se declarou hoje, em audiência pública, contrário à veiculação de propaganda de bebidas alcoólicas na televisão antes das 21 horas. Para Martins, ao associar conteúdos de desempenho sexual e conquistas de objetivos, a publicidade do setor estimula a juventude a consumir bebidas, informa a Agência Senado.

“O argumento de que a propaganda é apenas uma disputa entre companhias não me convence. Esse é  um problema de saúde pública que não se limita à auto-regulamentação, mas deve ser tratado, principalmente, como uma questão de Estado.” O ministro participa de audiência promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática que debate questões relacionadas a veículos de comunicação regional.

Fonte: Yahoo!Notícias

Leia mais:

Novas regras para publicidade de bebidas alcoólicas.

Com futebol, Plan pretende reduzir violência contra meninas no Maranhão.

A Plan Brasil lança projeto de apoio ao futebol feminino no interior maranhense. Região possui um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil

Em Codó, o futebol feminino será uma importante ferramenta para reduzir os casos de abuso e violência contra meninas e violação aos seus direitos. Essa é a estratégia do projeto de apoio ao futebol feminino que a ONG Plan Brasil lança no próximo domingo (4 de maio), no estado que apresenta um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil.

“Esse projeto representa muito mais do que um incentivo ao esporte. É um programa de inclusão social e fortalecimento de direitos”, afirma o gerente da unidade de programas da Plan em Codó, Clodomir Goiabeira Júnior. Em sua avaliação, a motivação por meio do futebol e de atividades socioeducativas contribuirá para a promoção da saúde e desenvolvimento dessas meninas, que se encontram em situação de vulnerabilidade social. A prática do esporte cria condições para as garotas fortalecerem sua auto-estima, identidade cultural, cidadania e capacidade de liderança.

O projeto, que tem duração de dois anos, prevê atividades de preparação e treinamento para prática do futebol para meninas de 10 a 18 anos e cursos específicos para árbitros e técnicos. Entretanto, o conteúdo do programa não se limita ao esporte. Durante os encontros e treinamentos, serão abordados temas como sexualidade, gravidez precoce, trabalho infantil (especialmente o doméstico), abuso e exploração sexual, doenças sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS. “Para muitas meninas, esta vai ser uma oportunidade de crescer como profissional de futebol, mas creio que teremos muito mais… respeito e reconhecimento como mulheres e seres capazes”, declara Jesuslene Moreira Pereira, 18 anos, moradora de Codó.

No domingo, logo após o lançamento do projeto, acontecerá um torneio de futebol, durante todo o dia, com a participação das 200 meninas selecionadas para o projeto, que também conta com a parceria da Lifac (Liga de Futebol Amador de Codó).

Com cerca de 120 mil habitantes, o município de Codó, situado a aproximadamente 300 km da capital, é hoje o quinto maior colégio eleitoral do Estado, e mesmo assim possui um dos índices educacionais mais baixos do Brasil. A cidade apresenta um desempenho particularmente precário no acesso à educação fundamental de qualidade. A situação é pior para as meninas: muitas são forçadas a trabalhar na economia informal da região, na qual onde as condições de trabalho são freqüentemente perigosas e humilhantes.

SERVIÇO:
Lançamento do Projeto de Apoio ao Futebol Feminino.
QUANDO: Domingo, 4 de maio, a partir das 8h.
ONDE: Sociedade Recreativa Cultural da Sucam, rua Pernambuco, s/n, Comunidade São Francisco, Codó, Maranhão

A Plan é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, sem filiação religiosa ou política, que existe desde 1937 e trabalha em mais de 60 países. No Brasil atua desde 1997. Tem por objetivo contribuir para a construção de um mundo onde todas as crianças realizem seu pleno potencial, em sociedades que respeitem os direitos e a dignidade das pessoas.

O trabalho da Plan apóia diretamente mais de um milhão e duzentas mil crianças no mundo. Para isso, conta com a ajuda de mais de um milhão de pessoas físicas. Elas fazem doações mensais que financiam projetos em comunidades da África, Ásia e América Latina. Esses doadores têm a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de uma das muitas crianças atendidas pelos projetos da Plan, tornando-se “amigos de uma criança”.

No Brasil, cerca de 75 mil crianças, adolescentes e jovens são beneficiados diretamente com os projetos da Plan nas comunidades onde a organização atua nos estados de Pernambuco e Maranhão.

A Plan é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, sem filiação religiosa ou política, que existe desde 1937 e trabalha em mais de 60 países. No Brasil atua desde 1997. Tem por objetivo contribuir para a construção de um mundo onde todas as crianças realizem seu pleno potencial, em sociedades que respeitem os direitos e a dignidade das pessoas.

O trabalho da Plan apóia diretamente mais de um milhão e duzentas mil crianças no mundo. Para isso, conta com a ajuda de mais de um milhão de pessoas físicas. Elas fazem doações mensais que financiam projetos em comunidades da África, Ásia e América Latina. Esses doadores têm a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de uma das muitas crianças atendidas pelos projetos da Plan, tornando-se “amigos de uma criança”.

No Brasil, cerca de 75 mil crianças, adolescentes e jovens são beneficiados diretamente com os projetos da Plan nas comunidades onde a organização atua nos estados de Pernambuco e Maranhão.

Fonte: http://www.plan.org.br/extranet/http/ctudo-conteudo.asp?idsecao=180&Livre=1

Senadora Kátia Abreu pede que população denuncie agressão contra crianças.

Ao comentar o caso da menina Isabela, morta há cerca de um mês, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) conclamou toda a sociedade brasileira a denunciar crimes de agressão contra crianças. A senadora disse que o governo deve investir na instalação de delegacias da criança e do adolescente por todo o país e sugeriu que as prefeituras capacitem os professores das escolas públicas a identificarem estudantes agredidos ou sob risco de agressão.

- Todos podem denunciar, até anonimamente - frisou a senadora.

Kátia Abreu lembrou que a morte da menina Isabela Nardoni causou indignação em todos os brasileiros e lamentou a possibilidade de o caso vir a ter um impacto negativo sobre as crianças. Ela ressaltou que não é uma tarefa fácil explicar para as crianças “que monstruosidade foi essa”, pois os principais suspeitos do assassinato são o pai e a madrasta da menina. E manifestou o seu receio de que o crime atemorize as crianças, pois muitas têm pais separados, padrastos e madrastas.

A senadora sugeriu aos familiares e professores que conversem e dêem atenção às crianças, pois é difícil para elas entenderem a situação.

- Um pai ter matado a própria filha. O que estarão pensando as crianças? A família e os professores não podem fugir desse assunto - disse a senadora.

Kátia Abreu lamentou que, na capital de Tocantins, Palmas, já tenham ocorrido, apenas em 2008, 78 casos de violência contra crianças, resultando em três mortes. Ela disse que no Brasil, das mais de 76 mil denúncias de agressão a crianças em 2007, 55 mil delas tinham como agressor alguém da própria família. E dessas 55 mil agressões, 81% são feitas pelos próprios pais.

- Essas estatísticas assustam a todos nós. Uma criança é assassinada no Brasil a cada dez horas - lamentou.

Em aparte, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) elogiou o pronunciamento da colega.

Fonte: Agência Senado

Cadastro Nacional de Adoção.

Lançado pelo Conselho Nacional de Justiça, o cadastro de adoção permitirá a aproximação entre crianças que aguardam por uma família e pessoas de todo o país que querem adotá-las

Veja também:

Faça o download da Cartilha que explica, passo a passo, o processo de adoção.

Adoção veta negros.

Filhos do Coração.

Polícia da China resgata crianças de trabalho escravo.

Foto: cortesia do jornal Southern Metropolis Daily
Menina fala com policiais depois de ser resgatada de fábrica

A polícia da China resgatou mais de cem crianças de um vilarejo que tinham sido vendidas para trabalhar como escravas na província de Guangdong, no sul do país, segundo informações da imprensa estatal chinesa.

As crianças eram da minoria étnica yi e vinham de famílias pobres de Sichuan, a cerca de 960 quilômetros do local onde foram encontradas.

O correspondente da BBC em Pequim Daniel Griffiths afirmou que crianças de 9 anos de idade trabalhavam várias horas diárias em fábricas, sendo que algumas foram vendidas e outras enviadas pelos pais para tentar escapar da pobreza.

O jornal China Daily afirmou que 167 crianças foram resgatadas da fábrica na cidade de Dongguan e as autoridades informaram que foram feitas várias prisões.

Segundo informações ainda não confirmadas podem existir mais de mil crianças trabalhando nestas condições em pelo menos uma cidade do sul da China.

Operação

Em 2007 o governo chinês anunciou uma grande operação para combater o trabalho escravo e o trabalho infantil.

A operação foi anunciada depois que foram divulgadas informações de que crianças eram forçadas a trabalhar em fábricas de tijolos na China.

Mas, segundo Griffiths, este último incidente sugere que as práticas do trabalho escravo e infantil ainda são comuns na China.

Os jornais locais afirmaram que os líderes comunistas da cidade de Dongguan disseram à polícia e às autoridades trabalhistas para resgatarem as crianças e punir os responsáveis pelo tráfico destas crianças.

Mas eles acrescentaram que duas das meninas resgatadas pareciam relutantes em deixar o local onde trabalhavam e voltar para a miséria de seus próprios vilarejos.

Fonte: BBCBrasil

Veja mais sobre trabalho escravo, clicando aqui.

Proteja seu filho na internet.

crianças internet pedófilos

Daniela Arrais
Gustavo Villas Boas

Mais da metade (59%) dos brasileiros de 10 a 15 anos já entraram na internet, segundo dados do Comitê Gestor da Internet. Eles estão entre os alvos de crimes que crescem no Brasil e no mundo: pedofilia e pornografia infantil on-line.

Há duas semanas, a Internet Watch Foundation, fundação do Reino Unido que recebe denúncias de crimes on-line, divulgou um relatório que mostra que existem cerca de 3.000 sites de divulgação pornográfica envolvendo crianças no mundo. E que 80% deles operam de forma comercial, em um mercado criminoso multimilionário -ou bilionário, de acordo com parte das estatísticas, bastante discrepantes.

Um deputado norte-americano chegou a falar, em 2006, em um mercado que movimenta US$ 20 bilhões ao ano; a organização CCRC, que pesquisa crimes por computador, fez uma estimativa de cerca de US$ 3 bilhões, em 2005.
No Brasil, o foco desse crime está sobre o Orkut -na semana passada, a CPI da Pedofilia recebeu informações contidas em 3.261 álbuns de fotos privados do site mantido pelo Google; eles são alvos de investigação pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

De acordo com Thiago Tavares, presidente da ONG SaferNet Brasil, os pedófilos exploram a internet produzindo e difundindo imagens pornográficas de menores de idade, promovendo o turismo sexual para relacionamentos pedófilos, aliciando vítimas e fazendo apologia e incitação ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Outra forma de exploração sexual da infância na internet é a extorsão. Criminosos usam câmeras para conseguir imagens de menores e chantagear suas famílias, afirma Ubiracyr Pires da Silva, delegado titular da 4ª Delegacia de Delitos por Meios Eletrônicos de SP.
Nesta edição, saiba como funciona a rede criminosa e conheça dicas que ajudam a proteger a navegação da família.

Prevenir é o melhor, dizem especialistas

O velho conselho de não falar com estranhos, passado de geração para geração, também vale para a internet, principalmente se o usuário é menor de idade e ainda está dando os primeiros passos na navegação.

Especialistas também recomendam deixar o computador em uma área comum da casa. “Um lugar de livre circulação, como uma biblioteca, é o ideal para os pais acompanharem o que os filhos fazem na internet”, diz Marcel Leonardi, advogado e professor de direito e internet da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
O diálogo aberto também é citado como uma das principais formas de prevenir os abusos. “O diálogo e a educação são indicados para minimizar os riscos na navegação na rede”, diz o diretor de TI e conselheiro da SaferNet Brasil, Tiago Bortoletto Vaz.
Além disso, “recomendamos que os pais estejam presentes sempre que possível, evitando ao máximo que seus filhos acessem por tempo prolongando qualquer serviço na internet em locais isolados”, diz Vaz.

Assim, é possível conversar sobre o que a criança ou o adolescente está vendo na internet, e, também, olhar mais de perto uma reação inusitada, como desligar o monitor de forma abrupta.
“Se a criança ou o adolescente está conectado e procura fechar rapidamente a tela, esconder o que está vendo, ou não quer contar sobre as novas descobertas, é preciso estabelecer uma conversa. São sinais de alerta que podem indicar que está ocorrendo abuso on-line”, afirma Ana Maria Drummond, diretora-executiva do Instituto Childhood Brasil.

Quando os pais se mostram receptivos aos ensinamentos que os filhos dão sobre a internet -meio com o qual a maioria já nasceu familiarizada- a relação flui melhor, dizem os consultados. “Proibir e controlar é muito complicado. Até porque, em se tratando de adolescentes, quanto mais proibido, mais atraente fica. Então, os pais devem usar a internet como ferramenta de diálogo, de informação”, afirma Beth Saad, professora da Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo) que faz pesquisas sobre internet.
Ela recomenda que os pais pesquisem os programas e as redes que os filhos usam -vale até criar um perfil no Orkut “para reduzir o déficit geracional”. “Não dá para ficar só no papel de vigilante.”
O delegado titular da 4ª Delegacia de Delitos por Meios Eletrônicos de São Paulo, Ubiracyr Pires da Silva, ressalta ainda o risco das webcams. “Os problemas aumentaram muito depois dessas câmeras.” A recomendação é que tais aparelhos nunca devem ser ligados para desconhecidos.

Deixar de tratar o sexo como tabu também é uma forma ficar próximo de quem o está descobrindo. “É preciso olhar a sexualidade não com moralismo, mas como o desenvolvimento normal do ser humano, de acordo com a idade”, diz Vicente Faleiros, assistente social, professor da UCB (Universidade Católica de Brasília) e pesquisador da UnB (Universidade de Brasília).

Crianças na rede

QUANTOS SÃO
30% dos 22,8 milhões de internautas residenciais no Brasil têm entre 2 e 17 anos, segundo pesquisa do Ibope/Netratings para o mês de março deste ano

MUITO TEMPO
Nessa faixa etária, eles ficam 33 horas e 4 minutos por mês na internet

TEMPO DA ADOLESCÊNCIA
Os jovens com idade entre 12 e 17 anos ficam, em média, 42 horas conectados por mês

DIAS ADOLESCENTES
Esse grupo totaliza 4,4 milhões de pessoas que ficam quase o equivalente a dois dias inteiros na internet por mês

PEQUENOS NUMEROSOS
As crianças com até 11 anos que entram na internet de suas casas totalizam 2,4 milhões

PEQUENOS ATIVOS
Nessa faixa etária, as crianças permanecem 17 horas e 26 minutos na internet por mês

ATIVIDADES
Os meninos pequenos buscam jogos de aventuras, e as meninas, jogos que simulam atividades cotidianas dos adultos. Os adolescentes usam ainda mais os games, além de Wikipédia, sites de música, compartilhamento de downloads, fotologs, busca de imagens, Orkut, YouTube, mensagens instantâneas e blogs.

Saiba como preservar provas do ataque de predadores

Caso desconfie que seu filho é alvo de um pedófilo, procure reunir o maior número possível de informações para fazer uma denúncia formal.

O advogado Marcelo Duchovni aconselha que os pais guardem e imprimam o material suspeito.
“Esses documentos podem servir como provas. O pai deve denunciar ao Ministério Público e a uma delegacia.”

Para Renato Opice Blum, advogado especialista em direito eletrônico, a preservação de provas é primordial, pois, sem uma pista para identificação do autor, não dá para fazer nada. “Se seu filho está em um bate-papo, dê um print screen na tela para preservar a imagem com horário e indicações, como apelidos usados pelo suspeito. Se a conversa for em MSN, é importante deixar habilitada a função de gravar conversas.”

O delegado titular da 4ª Delegacia de Delitos por Meios Eletrônicos de São Paulo, Ubiracyr Pires da Silva, ressalta, ainda, que preservar um e-mail em sua integridade é importante. “É por meio do cabeçalho que podemos identificar quem enviou a mensagem.”
Ele adverte que muitos pedófilos se aproximam das vítimas se passando por crianças e demonstrando interesses parecidos. “Ele quer entrar na intimidade da criança como um amigo. Se descobre que ela gosta de futebol, vai gostar de futebol também”, exemplifica.

Marcel Leonardi, professor de direito e internet da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que “o ponto principal para se prevenir é a cautela, o diálogo. Aquela recomendação de não aceitar balas de estranhos que nós ouvíamos deve servir para internet. Os criminosos aproveitam o pseudo-anonimato da rede.”
Ele adverte que os pais não devem se precipitar ao julgar as conversas, mas devem agir rápido quando têm suspeitas. “Se os pais demoram a agir, os provedores, por exemplo, podem não ter mais os dados de identificação de quem usou aquele apelido naquele horário”, diz ele.

Após ataque na rede, mãe deleta fotos

O nascimento do bebê está lá. O primeiro aniversário, também. Aquelas fotos do churrasco em família ocupam um álbum inteiro. E a viagem para o litoral é exibida em detalhes na rede social Orkut.
O que muitas famílias não sabem é que, ao colocar registros da vida privada em um ambiente público, correm o risco de parar nas mãos de criminosos. Quem já passou por isso, como a pesquisadora Marília (nome fictício), guarda lembranças dolorosas.
“Pegaram fotos do meu filho, quando ele tinha um ano, e colocaram em um site de pedofilia. Depois me mandaram o link para que eu visse e, também, para todos os meus contatos no Orkut. Chorei muito, fiquei sem dormir. Acho até que fiquei um pouco paranóica”, lembra.
A pesquisadora não teve como denunciar o criminoso, pois quando foi tentar acessar novamente, a página estava fora do ar.
Depois do episódio, Marília deletou as fotos e vários contatos que ela não conhecia. “Depois de um tempo, até voltei a colocar fotos, mas só para os amigos verem. Aprendi a não me expor.”

Apoio
O Instituto Sedes Sapientiae (www.sedes.org.br) oferece suporte psicológico a vítimas de abuso. “Há casos de mulheres que procuram ajuda para os maridos, religiosos envolvidos com suspeitas e até adolescentes que começaram a ter uma atitude compulsiva em relação a crianças menores”, afirma a psicóloga Dalka Ferrari.

Redes sociais utilizam tecnologia para tentar combater criminosos

Antes da quebra de sigilo de mais de 3.000 álbuns do Orkut pela CPI da Pedofilia, criminosos se reuniam em comunidades para exaltar a prática. Algumas eram explícitas, como a “Sou pedófilo”. Em outras, por trás de um título aparentemente corriqueiro (”A polícia federal tá no orkut”), usuários anônimos trocavam mensagens dignas de revirar o estômago.

Para combater esse tipo de prática, o Google assumiu o compromisso de manter os logs (registros dos computadores) por 180 dias para facilitar as investigações; desenvolver novos filtros para impedir a publicação de material ilícito; colaborar com acordos de cooperação internacional; e implementar uma ferramenta que tem elementos de software, hardware e recursos humanos e que permitirá o fornecimento de imagens e dados que atendam em definitivo as demandas da Justiça no Brasil -as informações são da assessoria de imprensa do Google Brasil.
Para tentar evitar problemas do tipo, o MySpace investe em tecnologia. “Combinamos diversas formas de identificação e rastreamento, que, conjugadas a uma base de dados mantida pelas autoridades norte-americanas, permite a rápida identificação desses criminosos. Também permite o bloqueio e a eliminação de perfis posteriores que essa pessoa venha a criar”, afirma Emerson Calegaretti, presidente do MySpace no Brasil.

Apesar da tentativa de proteção, o MySpace norte-americano já esteve envolvido em escândalos sobre pedofilia. Em dezembro, o engenheiro civil Ivory Dickerson foi condenado a 110 anos de prisão por assediar menores de idade na rede, segundo investigações do FBI.
Questionado pelo Folha sobre o assunto, o Facebook não deu resposta até o fechamento desta edição.

Softwares ajudam a controlar tempo da navegação e do MSN das crianças

Existem softwares que podem ajudar os pais a monitorar a navegação dos filhos. Todos os especialistas consultados pela Folha consideram que eles não podem substituir a instrução pelo diálogo, já que é fácil acessar a internet de outros lugares.
De qualquer forma, programas como o Crawler Parental ajudam os pais a controlar o tempo on-line dos filhos, por exemplo.
Gratuito (www.crawlerparental.com), o software tem filtro de conteúdo -é possível determinar o tempo de uso do computador e da rede por usuário.
Já o Chat Controller (www.zemericks.com/ products/chatcontroller/index.asp) possui ferramentas para limitar o uso de mensageiros instântaneos populares, como o MSN e o GTalk.
Grandes produtoras de antivírus, como McAfee, Kaspersky e Symantec, também possuem recursos de ajuda aos pais. Normalmente, esse tipo de aplicação é identificado como “Parental Control”.
Tais controles, como filtro de conteúdo e de websites, podem ser úteis se configurados adequadamente -eventualmente, porém, sites criminosos poderão ser acessados ou páginas legítimas, bloqueadas.

Orientação
No site www.wcf.org.br, do Instituto Childhood Brasil, existe material de apoio às famílias em português.
Em inglês, o www.whattheyplay.com discute questões relacionadas a videogames -normalmente, de domínio só das crianças-, como violência e nudez, e dá dicas para os pais conversarem com os filhos sobre o tema.

Criminosos possuem códigos próprios

A Polícia Federal possui um perfil do pedófilo que age na internet, apesar de reiterar que, em casos de pedofilia, nem sempre há regra ou padrão bem definido. Na maioria dos casos apurados pela polícia, o perfil é de um homem entre 30 e 45 anos, solteiro, que mora sozinho, é reservado, inseguro, tem dificuldade de manter relações afetivas por muito tempo e, em alguns casos, cansou de consumir pornografia adulta, migrando para a pedofilia.
O perfil das crianças que aparecem nas fotos e nos vídeos utilizados por pedófilos no país também sofreu alteração, segundo o delegado Felipe Seixas, da divisão de direitos humanos da Polícia Federal.
“A maioria das imagens difundidas no Brasil ainda é de crianças estrangeiras, o que a gente sabe pelo cenário e pelas características físicas das crianças. Mas acreditamos que o número de crianças brasileiras expostas aumentou, por causa da popularização de câmeras e da internet”, disse.

Código próprio
“Boylovers” e “7yo” são exemplos de códigos pouco conhecidos pela população em geral, mas que foram desenvolvidos para possibilitar que pedófilos se conheçam na internet e troquem material de pornografia infantil. Os códigos também dificultam que eles deixem rastros visíveis.
Essas identificações se disseminaram no Brasil pelo Orkut -serviço de relacionamentos mantido pela Google-, por chats e por alguns sites de pornografia adulta, que mantêm imagens pedófilas camufladas em seus arquivos.
Uma das siglas usadas pelos criminosos identifica, por exemplo, fotos e vídeos com cenas fortes de crianças ou adolescentes mantendo relações sexuais com adultos.
Há siglas com explicação ainda mais exata do material disponível: “7yo”, “8yo” e assim por diante, que identificam sexo, nome e idade da criança- 7yo significa, por exemplo, “7 years old” (sete anos).
Outras palavras servem de referência para preferências nas trocas de material e do conteúdo que têm armazenado em redes sociais. “Boylovers” significa que o pedófilo prefere meninos; “girlovers”, só meninas. Quando há referência a “childlovers” o gosto é por ambos e, no caso de “babyshowers”, por recém-nascidos.
Há ainda mais detalhamento nos sites ou arquivos com pornografia infantil, em que os usuários se deparam com subcategorias. Elas são praticamente as mesmas encontradas em páginas com pornografia adulta. Arquivos de uma determinada categoria são consideradas relíquias: fotos de crianças tiradas na década de 60.

Investigação
Além da verificação de denúncias recebidas da sociedade e da Interpol, a PF faz investigação espontânea de sites na internet. Um contato possível da polícia com suspeitos da prática de pedofilia é a troca de mensagens com o objetivo de entender o funcionamento dos esquemas de envio de imagens.
A PF não pode, porém, utilizar as mensagens ou a troca de imagens entre um agente e o suspeito como prova contra o segundo, diz o delegado Felipe Seixas, da divisão de direitos humanos. O delegado diz que a PF está investigando uma quadrilha suspeita de vender, via e-mail, imagens de pedofilia. Fotos e vídeos novos, de acordo com ele, são valiosos. Na Europa, chegam a custar 3.000.

Crianças são abordadas em bate-papos

Apesar de as redes sociais, principalmente o Orkut, aparecerem com destaque nas investigações acerca de pornografia infantil e pedofilia na internet, os serviços de bate-papo também possuem ameaças a crianças, como a Folha constatou.
Entrando com um apelido feminino e com o número 13 ao lado -da mesma forma como algumas pessoas identificam a idade nesses chats-, a reportagem foi abordada com mensagens de caráter ostensivamente sexual.
Em nenhum momento houve qualquer manifestação de interesse em continuar a conversa por parte da reportagem.
Na última sexta-feira, por exemplo, em menos de dez minutos, três homens, identificando-se como maiores de idade, pediram celular, quiseram marcar encontros ou se ofereceram para continuar a conversa via webcam. Durante toda a conversa, os homens (um deles casado) deixavam claro o interesse sexual na suposta menina de 13 anos.

Fonte: Folha Uol