Flagrantes de escravidão infantil no interior.

Meninos são obrigados a carregar toras de madeira de até 50 quilos
Fotografias tiradas por uma testemunha anônima acrescentaram mais uma grave acusação contra uma mulher que há três anos é apontada como autora de maus-tratos contra dois enteados, em Santa Cruz do Sul. As imagens mostram os meninos, de 12 e 13 anos, carregando pesadas toras de madeira, enquanto a madrasta toma chimarrão tranqüilamente. Conforme apurações do Conselho Tutelar, a situação seria freqüente e já configura exploração de trabalho escravo infantil.
Uma série de fotos mostrando os meninos carregando madeira foi entregue pelo anônimo ao Conselho Tutelar, que comunicou o fato à Polícia Civil nesta sexta-feira. De acordo com o conselheiro Edo Turcatti, a testemunha relatou que os garotos seriam obrigados a transportar toras de até 50 quilos ao longo de 200 metros. Depois, ainda teriam que picar a madeira, destinada ao fogão à lenha, com machados.
“É possível que eles também estejam tendo que derrubar as árvores. Os relatos dão conta de que os meninos são forçados a trabalhar domingos inteiros sem parar nem para tomar água. Isto é uma situação clara de tortura”, afirma Turcatti. O conselheiro revela que pretende sugerir à polícia que peça a prisão preventiva da acusada. O caso será encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Turcatti prefere manter em sigilo o nome da localidade, mas revelou tratar-se de área bastante próxima da zona urbana. Segundo ele, a acusada já responde na Justiça por outras acusações de lesão corporal e maus-tratos contra os enteados. “As primeiras denúncias contra ela chegaram há três anos.”
A acusada reside com o pai das crianças há seis anos. A mãe biológica dos menores teria abandonando a família. Edo Turcatti conta que após as primeiras denúncias a madrasta chegou até a transferir os enteados de escola, para despistar as investigações. “Com tanto sofrimento, é inegável que os meninos sofram traumas. Os efeitos psicológicos disso aparecerão mais tarde”, comenta Edo.
Fonte: Gazeta do Sul


























