Governadora e bispos discutem ações de combate a problemas sociais.
A governadora Ana Júlia Carepa se reuniu nesta quinta-feira (15), por mais de três horas, com os bispos
dom Erwin Krautler, dom Flávio Giovenali e dom José Luís Azcona, na presença do arcebispo Metropolitano de Belém, dom Orani João Tempesta, que representou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Durante a reunião, foi discutida uma forma conjunta de enfrentamento aos problemas relacionados a vários segmentos, principalmente saúde, educação e violência, que atingem as comunidades onde os religiosos atuam.
A reunião foi conduzida pela governadora e contou também com as presenças dos secretários de Estado de Segurança Pública, Geraldo Araújo; de Saúde Pública, Laura Rossetti; de Integração Regional, André Farias; de Justiça e Direitos Humanos, Socorro Gomes, e um representante da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Sedes).
A reunião foi aberta com uma explanação da governadora sobre a situação em que recebeu o Estado, a começar por um déficit nas contas públicas de R$ 289 milhões.
Dom Erwin Krautler reiterou que os religiosos não responsabilizam o governo atual por problemas sociais
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas no início de gestão, Ana Júlia Carepa relacionou uma série de ações que já estão sendo desenvolvidas e coincidem com as demandas apontadas pelos bispos. Dentre essas medidas está o Plano Estadual de Combate à Violência Sexual, com ações repressivas que devem ser desencadeadas nos próximos dias.
Segurança - A governadora anunciou ainda que, na próxima terça-feira (20), abrirá a aula inaugural de uma turma de 1.400 alunos, aprovados no concurso da Polícia Militar, que farão o curso de formação antes de prestar serviços à população. O governo conseguiu reduzir o tempo de formação de um ano para seis meses, sem diminuir a carga horária. Os alunos ficarão quatro meses na academia e os dois últimos meses atuando já diretamente com a população, de forma assistida.
O Pará ficou 12 anos sem realizar concurso público para a PM. Como a população cresceu e muitos policiais foram para a reserva, o efetivo atual é proporcionalmente menor que há 10 anos.![]()
Ana Júlia Carepa reiterou ainda que delegados, investigadores e papiloscopistas aprovados em recente concurso público serão destacados, prioritariamente, para o interior do Estado, onde as necessidades são maiores. Dos 70 aprovados para o cargo de delegado de polícia, 17 já desistiram da função por terem sido aprovados em outros concursos, quando já haviam iniciado o curso de formação de um ano.
Ela informou ainda que o governo já está licitando empresa de engenharia para a construção de um prédio destinado à Delegacia de Polícia de Abaetetuba, no valor de R$ 1,2 milhão.
Dom Luís Azcona manifestou preocupação com a violência e o avanço de doenças no Marajó
Educação - Os bispos também foram informados que o governo está investindo R$ 40 milhões na reforma de escolas de ensino médio. No segundo semestre será realizada nova licitação para a conclusão dessas obras, já que os prédios estão em péssimas condições.
Ana Júlia Carepa informou sobre a inauguração dos infocentros no município de Marabá (Região de Carajás) e no bairro do Guamá, em Belém. Até o final de agosto deste ano deverão ser entregues outros 12 infocentros, incluindo os municípios de Altamira, na região onde atua dom Erwin Krautler, e Abaetetuba, na Prelazia de dom Flávio Giovenali.
A governadora deu ênfase ao Programa Pará, Terra de Direitos, que prevê investimentos de R$ 600 milhões em recursos próprios, beneficiando na primeira etapa 39 municípios, onde estão concentrados 65% da população paraense.
Defesa da Amazônia - Ao abrir a discussão, dom Erwin Krautler destacou que esta foi a primeira vez que os bispos se reuniram juntos com o chefe de Estado. Ele garantiu que os religiosos não acusam e nem responsabilizam a governadora e seu governo pelos problemas sociais existentes no Pará, que são históricos e não serão resolvidos em poucos dias. Segundo ele, nas atividades pastorais os bispos ouvem os clamores da população mais pobre e querem compartilhar com o governo estadual suas “angústias”.
A CNBB divulgou um documento que estabelece a missão dos bispos na Amazônia. “Queremos colaborar para que o povo tenha melhores condições de vida”, enfatizou dom Erwin Krautler. Ele disse ainda que os bispos se colocam como intermediários entre o povo humilde e transmitem essas demandas aos governos.
O bispo criticou o modelo economicista, que segundo ele prevalece na Amazônia, e destacou os grandes empreendimentos, como os minerários e hidrelétricos, os quais fazem a riqueza de alguns e pouco distribuem à população local, na avaliação do religioso. “Quais são os verdadeiros benefícios que estes grandes projetos trazem ao Pará?”, questionou dom Erwin.
Ele destacou que os bispos defendem de maneira intransigente a Amazônia e combatem os saques aos recursos naturais da floresta, que vão prejudicar as gerações futuras.
Demandas - Já dom Flávio Giovenali entregou alguns ofícios à governadora, relacionados aos interesses da Prelazia de Abaetetuba. O bispo enumerou a importância da escola profissionalizante integral, que está sendo construída pelo governo estadual e deverá beneficiar 315 alunos; o combate ao tráfico de drogas; a aceleração das ações do programa Navegapará, e a criação de um plano de desenvolvimento para a região.
O bispo convidou Ana Júlia Carepa para a inauguração da Fazenda Esperança, espaço destinado à recuperação de dependentes químicos, prevista para o dia 6 de julho próximo.
Dom Luís Azcona criticou o Plano de Desenvolvimento do Marajó, apresentado pelo governo federal em parceria com o estadual e municípios, e demonstrou preocupação com a possibilidade do avanço da malária e da febre purpúrica no Arquipélago do Marajó.
O bispo reiterou denúncia de conivência de autoridades com a prostituição infantil, o tráfico de drogas e de pessoas, que envolvem países vizinhos como a Guiana e o Suriname. Na sua avaliação, esses crimes são favorecido pelas condições geográficas, marcadas por furos, ilhas, extensos rios e florestas.
Após ouvir todos os relatos, Ana Júlia Carepa observou que os objetivos do governo e da Igreja são comuns, pois buscam o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Ela ressaltou que algumas políticas públicas são novas, podendo ser ajustadas, e considera que há muito o que avançar diante das omissões dos governos anteriores. Para ela, parcerias como as propostas pelos bispos só vão contribuir para a construção de um novo momento na história do Pará.
Texto: Ivonete Motta - Secom

























16 maio, 2008 at 18:23
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