
Alexandra Serôdio
A Polícia Judiciária (PJ) não encontrou culpados para o desaparecimento de Madeleine McCann, em 3 de Maio do ano passado. Os investigadores já deram por terminado o inquérito, sem chegar a uma conclusão. O desfecho provável será o arquivamento.
Quase 14 meses depois de Madeleine ter desaparecido do quarto onde dormia, no aldeamento Ocean Club, na praia da Luz (Lagos), a investigação desencadeada pela Judiciária não permitiu concluir se se tratou de um rapto ou de um homicídio. E também admitiu não haver provas que relacionem qualquer dos três investigados - Robert Murat, Kate e Gerry McCann - com o desaparecimento da menina.
Ao que o Jornal de Notícias apurou junto de fontes ligadas ao processo, o relatório dos investigadores “apenas descreve os fatos apurados e não apurados”. Quer isto dizer que não é conclusivo nem aponta em nenhuma direção - rapto, homicídio ou ocultação de cadáver.
Fonte da Procuradoria-Geral da República disse, ao JN, que, “neste momento, o processo aguarda o trânsito em julgado de uma decisão do Juiz de Instrução do TIC de Portimão sobre a admissibilidade de um meio de prova, pelo que não foi dado ainda como concluído o inquérito a cargo da PJ nem foi entregue qualquer relatório final ao Ministério Público”. A mesma fonte esclarece ainda que “o segredo de justiça mantém-se até meados de agosto do corrente ano”.
O JN sabe que, em causa, está a decisão de validar, ou não, as fotocópias do diário de Kate McCann, que a PJ analisou e a que não deu relevância para o processo, daí ter já dado como concluído o seu trabalho.
Esta situação é criticada por uma fonte ligada ao processo: “O pedido foi feito em setembro do ano passado e já passou demasiado tempo”. A mesma fonte acredita que, com base neste relatório da PJ, a decisão só poderá ser a de arquivamento do caso Maddie, o que não significa que o processo não possa ser reaberto, se entretanto surgirem novas provas.
Segundo foi possível apurar, o processo foi enviado para o Tribunal de Portimão, na última semana, mas acabou por ser devolvido novamente à PJ porque o juiz de instrução ainda não validou o diário. Pedro Frias, o juiz, também não pediu qualquer tipo de diligência aos investigadores.
A confirmar-se o arquivamento, e à semelhança dos outros casos de pessoas desaparecidas, as polícias continuarão atentas a qualquer dado novo. O processo de Maddie apenas poderá ser reaberto se surgir um indício ou prova importante.
Francisco Pagarete, advogado de Robert Murat, disse, ontem, ao JN, nada saber do processo. “Desde que fomos levantar as coisas do Robert, há mais de três meses, que não somos contactados por ninguém da PJ”, disse o causídico. Sobre o possível arquivamento do caso, Pagarete lembra que esse “é um desfecho que pode acontecer a qualquer caso”, afiançando não saber “que indícios foram, ou não, encontrados”.
O advogado aguarda o despacho de arquivamento para saber, em concreto, as razões para essa decisão, caso venha a ser tomada pelo juiz de Portimão. Afiança que Murat “está sereno”. E conclui: “Todas as diligências da PJ foram acompanhadas, e por isso sabemos o que há nos autos”.
Carlos Pinto de Abreu, advogado dos McCann, também aguarda uma decisão. Caso o processo seja arquivado, diz que irá estudar o processo “da primeira à última folha” para “fazer aquilo que os pais (de Maddie) sempre quiseram, que é perceber que investigação foi feita e continuar a procurar a menina”.
Fonte: Jornal de Notícias