Combate à baderna
Dourados - Este matutino circulou ontem com a manchete que, há tempos, era esperada pela sociedade: operação combate a farra nas ruas, que foi seguida pela informação que o juiz da Infância e Juventude, Zaloar Murat Martins, determinou uma fiscalização ostensiva nas ruas da cidade, sobretudo nos finais de semana e no período noturno, para tirar de circulação os menores de idade que trocam o dia pela noite e embarcam numa maratona etílica que só é interrompida diante de um iminente coma alcoólico.
Parabéns ao magistrado pela iniciativa que envolve diretamente o Poder Judiciário, a Guarda Municipal, o Conselho Tutelar e a Polícia Militar de Dourados. A partir de agora, os pais devem agir com maior firmeza na educação e, principalmente, no controle dos filhos, mesmo porque eles podem ser responsabilizados pelas badernas e infrações que os menores de idade praticam nas ruas. Para ficar melhor, falta apenas a Polícia Militar receber bafômetros em número suficiente para abordar todos os motoristas que trafegam pelas ruas da cidade nos finais de semana.
Vale enfatizar que a Polícia Militar, que sofre com a falta de efetivo para oferecer segurança pública durante o dia, já não está conseguindo reduzir a baderna noturna que se instalou no município nos últimos anos. Jovens, que não recebem qualquer repressão dos pais ou responsáveis, estão levando para as madrugadas, hábitos que infernizam o sono daqueles que trabalharam e necessitam do descanso para continuar na labuta do cotidiano. São pessoas que não têm qualquer compromisso com horário ou responsabilidade com o trabalho e passam a noite toda fazendo algazarras pelos bairros e ruas centrais da cidade, mas a muvuca está concentrada, geralmente, em regiões tomadas por repúblicas de estudantes e nas proximidades das universidades. É fato que a determinação do juiz da Infância e Juventude não atinge os maiores de idade, já que coíbe apenas o consumo de álcool, mas a Lei Seca ao volante é suficiente para punir com rigor aqueles que misturam bebida com direção, colocando em risco as pessoas que se aventuram a trafegar pela cidade após às 23h.
Basta sair às ruas ao cair da noite, principalmente nos finais de semana, para encontrar moças e rapazes que parecem não ver outro sentido para a vida além do consumo desenfreado de bebida alcoólica. O mais preocupante é que a maioria destes jovens, muitos deles menores de idade, não enxergam limites e, da aparentemente inofensiva cervejinha, saltam para o whisky, logo em seguida estão ingerindo cachaça e, geralmente por influência dos colegas, acabam migrando para a maconha, ecstasy até serem seduzidos pela cocaína e pelo crack, também conhecido como a droga da morte por causar dependência quase instantânea e, praticamente, degenerar suas vítimas. Por isso, seria excelente se a Polícia Militar pudesse contar com um efetivo suficiente para realizar um policiamento mais ostensivo nas ruas da cidade, inibindo o vandalismo e punindo aqueles estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para os menores que, quase sempre, acompanham os jovens maiores de idade que passam a noite nas ruas, nos clubes e nas repúblicas.
Apenas no primeiro fim de semana da operação, o Juizado do Menor apreendeu nove adolescentes com idade entre 13 e 17 anos, mas é preciso entender que enquanto os pais não forem responsabilizados com o rigor da lei, esses menores continuarão tendo liberdade para passar a noite perambulando pelas portas dos botecos e boates. Portanto, pouco adianta o rigor do Juizado do Menor se os próprios pais ou responsáveis não policiarem as atitudes dos seus filhos.
Os pais não podem achar natural que um filho saia de casa ao cair da noite e só retorne ao lar às 6h do dia seguinte, ou seja, a iniciativa do juiz Zaloar Murat Martins é louvável, mas bom seria se cada pai atentasse para as obrigações que ele tem no processo de educação e de vigilância com seus filhos. É preciso interromper esta grave tendência de pais transferirem para a escola e até mesmo para o Poder Judiciário, as obrigações que eles deveriam assumir como genitores, mas isso só vai ocorrer a partir do momento em que eles, os pais, começarem a ser responsabilizados pela Justiça toda vez que seus filhos menores de idade infringirem a lei.
Fonte: O Progresso


























