Pais ou filhos?
Dana Campos
Revolta, indignação e dor. São estes os sentimentos que tomam conta de mim quando vejo cenas do cotidiano do meu bairro, da minha cidade, do meu país e do mundo em que vivemos. Jovens transgressores e inconseqüentes dos seus atos que me deixam realmente decepcionada. Cenas de selvageria vistas e vivenciadas em ruas, boates e no trânsito me deixam revoltada e muitas vezes descrente de que um mundo melhor possa existir, já que a juventude é tida como o futuro do país e do mundo.
É muito intrigante ver jovens que poderiam estar descobrindo as leis da física, as composições orgânicas da química, os romances literários e a nossa própria história dentro das salas de aula, mas que preferem estar nas ruas vivenciando as leis da justiça, tendo que prestar depoimento em delegacias.
Jovens, adolescentes e até mesmo crianças descompromissadas, descrentes e desinteressadas das questões sociais, políticas, econômicas e culturais. Um mundo violento e excepcionalmente incoerente com a nossa razão de viver. Temos hoje um país democrático, graças às lutas enfrentadas pelos jovens do passado, hoje nossos avós ou mesmo nossos pais, que viveram no período da ditadura militar.
Por que os jovens de hoje não se interessam pelo novo, pelo belo e pelo fraterno? Hoje vemos adolescentes nas ruas envolvidos em brigas de gangue, vestindo a camisa de escolas como Presidente Médici, Nilo Póvoas, São Gonçalo e Liceu Cuiabano. Nomes de santos e de homens dignos de serem estudados e lembrados pela representatividade histórica do País e do Estado. Entretanto, neste momento são lembrados apenas como sinônimo de selvageria, violência e transgressão.
Outro dia, assistindo a uma reportagem, vi a dor de mães que convivem com esses jovens transgressores. A amargura de uma delas que teve o filho violentado por um grupo de jovens, rapazes com idades entre 16 e 22 anos. As cenas foram chocantes. No entanto, o relato tanto da mãe da vítima quanto da mãe de um dos agressores era ainda mais emocionante. Uma emoção que transmitia tristeza, revolta e dor. O que fez ressurgir a minha descrença com relação à juventude.
Ressurgiu porque acredito que um filho é o espelho dos pais. E hoje vejo que muitos não convivem em um ambiente familiar. Esses jovens precisam de mais atenção dos próprios pais e dos demais familiares. Infelizmente, existem muitas pessoas que não se preocupam com seus filhos. E tudo isso reflete na nossa sociedade. Para mim, a existência de um mundo melhor passa exclusivamente pela educação familiar. Creio em um mundo melhor! Entretanto, acredito que para isso as famílias devem se preocupar mais com a criação e formação de seus filhos.


























