A Procuradoria Geral do México investiga na cidade de Guadalajara um suposto comércio ilegal de órgãos humanos do qual seriam vítima os imigrantes centro-americanos, segundo suspeitas de organizações não-governamentais que defendem os direitos humanos.
No México “é uma realidade vergonhosa” a venda ilegal de órgãos, denunciaram as ONGs. Os ativistas afirmam que no mercado negro um par de córneas custa US$ 90 mil, de rins US$ 150 mil e um fígado US$ 60 mil.
O ministro da Saúde, José Angel Córdova, aceitou que a partir desta semana os hospitais do estado de Jalisco, cuja capital é Guadalajara, sejam investigados pela polícia por supostamente traficar e vender órgãos humanos.
Pedro Pantoja, diretor da Casa do Imigrante na cidade de Saltillo, capital do estado de Coahuila, afirmou que os imigrantes centro-americanos são vítimas de “exploração a todos os níveis: surras, roubos, seqüestros e comércio ilegal de órgãos”. O presidente do Centro de Direitos Humanos Frei Francisco de Vitória, Miguel Concha, relata que “mulheres e crianças imigrantes são vitimas do comércio ilegal de órgãos”.
A Comissão Nacional dos Direitos Humanos lançou uma campanha de rádio, na qual confirma a existência de tráfico ilegal de órgãos humanos no país, que foi repudiada pelo Ministério da Saúde. “A cada ano, milhares de pessoas são seqüestradas no México para fins de exploração sexual e tráfico de órgãos”, diz a mensagem de rádio, divulgada durante um programa de proteção aos imigrantes.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o tráfico de órgãos é uma realidade latino-americana, na qual pessoas de países como Argentina, Brasil, Honduras, México e Peru fazem esse tipo de comércio com compradores alemães, suíços e italianos.
Segundo a ONG Coalizão contra o Tráfico de Mulheres e Crianças, mais de cinco milhões de mulheres e crianças são vitimas de tráfico de pessoas na América Latina e no Caribe. A diretora da organização, Teresa Ulloa, disse que ao menos 500 mil desses casos ocorrem no México a cada ano e “as vítimas são usadas com fins de exploração sexual e de trabalho, pornografia e tráfico de órgãos humanos”. De acordo com o Instituto Coahuilense das Mulheres, o sistema reúne “prostituição, drogas e venda de órgãos”.
A Subprocuradoria Federal de Investigação Especializada em Crime Organizado investiga o médico L. C. R. como suposto responsável por “mudar os beneficiários de doações de órgãos em troca de dinheiro”. O médico cobra “até US$ 200 mil” para realizar um transplante de rim, fígado ou córneas, denunciaram representantes das organizações Fundação Nacional de Crianças Roubadas e Desaparecidas, Consciência Cívica e Associação Mexicana das Crianças Roubadas e Desaparecidas.
Fonte: Ansalatina
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