Deputados vistoriam casas de recuperação para elaborar um diagnóstico sobre a situação do jovem infrator.
Duzentos e quinze adolescentes em conflito com a lei, com idades entre 18 e 21 anos, se apertam no espaço que deveria ser destinado a somente 60 rapazes no Centro Educacional Cardeal Aloísio Lorscheider (Cecal), casa de recuperação que funciona com restrição de liberdade, no Conjunto José Walter, em Fortaleza. O resultado é que, em cada cela, com área de oito metros quadrados, onde somente um jovem deveria viver, quatro rapazes dividem o espaço durante a noite e parte do dia. Na hora de dormir, colchões no chão ocupam todo o espaço, usando até a área do banheiro.
Foi essa lotação o principal problema verificado ontem pela Comissão Especial para Diagnosticar o Trabalho das Casas de Recuperação de Adolescentes e Jovens Infratores, da Assembléia Legislativa. O presidente da Comissão, deputado Edson Silva (DEM), e o relator, Artur Bruno (PT), passaram a tarde visitando as dependências do Centro e conhecendo os projetos de educação e qualificação profissional. Segundo o diretor da unidade, Joaquim Jácome Vieira, apesar do excesso de internos, os trabalhos com os jovens são desenvolvidos normalmente.
Ontem à tarde, os deputados puderam observar os internos participando das aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em oficinas profissionalizantes como costura, tecelagem, artesanato, marcenaria e eletrônica. Há ainda aulas de música, dança e prática de atividades esportivas.
O coordenador de Proteção Social Especial da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, Paulo Guedes, explicou que todos os jovens, durante um período, ficam nas aulas do EJA e desenvolvem, obrigatoriamente, as demais atividades no outro horário.
Guedes afirma que o problema da lotação da unidade pode ser minimizado com a colaboração das Comarcas do Interior. De acordo com ele, atualmente, 93 internos vieram do Interior. “Além de colaborar para a lotação da unidade, ainda dificulta o cumprimento de um dos preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que recomenda a convivência familiar e comunitária”, frisa o coordenador.
De acordo com o deputado Edson Silva, essa atividade foi somente a primeira de uma série de visitas que serão realizadas pela Comissão. Segundo ele, todas as 12 casas de recuperação de crianças e adolescentes do Ceará serão visitadas. Conforme Artur Bruno, o diagnóstico das casas de recuperação será apresentado pela comissão em 90 dias.
UNIDADES DE EDUCAÇÃO
Problema poderia ser minimizado
O coordenador de Proteção Social Especial da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, Paulo Guedes, frisa que, enquanto os centros de educação da Capital convivem com a lotação, as unidade do Interior do Estado de liberdade assistida são subutilizadas. “Nós temos quatro casas com medidas de semi-liberdade que poderiam ser utilizadas, mas para isso precisaríamos da colaboração dos juizes das Comarcas do Interior”, diz.
Segundo ele, no Iguatu, a casa tem capacidade atender 25 adolescentes, mas somente quatro ocupam as vagas. Em Crateús, que tem a mesma disponibilidade de espaço, sete jovens são assistidos. “O único município que trabalha no limite é Sobral”, relata.
O coordenador explica que as casas que trabalham com a privação de liberdade recebem jovens que cometeram infrações graves, como homicídios e latrocínios, mas também os reincidentes em infrações menos graves, como furtos e assaltos. “Nesses casos, uma medida de liberdade assistida ajudaria a desafogar as casas de internação”, afirma.
Ele adianta ainda que Sobral terá construídas duas casas, sendo uma de internação e outra de internação provisória, no prazo de dois anos. Um outro centro em Juazeiro do Norte deverá ser transformado em casa provisória em seis meses.
RENATA BENEVIDES
Repórter
MEDIDA DE INTERNAÇÃO
1- Poderá ser aplicada quando tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa
2 - Reiteração no cometimento de outras infrações graves
3- Descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta
4 - A liberação será compulsória aos 21 anos
Fonte: Diário do Nordeste