
Informações incluem imagens em um posto de gasolina
A britânica Madeleine McCann, desaparecida no ano passado quando passava férias com a famíllia em Algarve, Portugal, pode ter sido vendida para uma rede de pedofilia belga, segundo informações da inteligência britânica passadas para a polícia portuguesa.
As informações fazem parte do arquivo de 30 mil páginas sobre o desaparecimento da menina - que tinha três anos na época -, divulgado no início desta semana pelas autoridades portuguesas.
Segundo a informação, um “comprador” belga teria encomendado o seqüestro de Madeleine depois de ter visto a foto dela, que teria sido tirada durante as férias em Portugal, mas os documentos não informam de onde teria vindo a pista.
Os arquivos ainda revelam que a mãe de Madeleine enviou uma carta à polícia portuguesa, implorando por informações relacionadas à investigação.
Tortura
Na carta, datada de dezembro de 2007, Kate McCann disse que a falta de comunicação entre os policiais e sua família era uma “tortura”.
A mãe ainda pediu que a polícia parasse de “apontar culpados” e disse que sua dor e ansiedade eram “indescritíveis”.
O porta-voz da família, Clarence Mitchell, confirmou que Kate McCann escreveu a carta para um dos policiais mais graduados, Paulo Rebelo, mas não recebeu qualquer resposta além da notificação formal de que a carta havia sido recebida e anexada aos arquivos do inquérito.
“Como mãe dela, a dor e ansiedade que sinto são indescritíveis e a sensação de não poder fazer nada é muito forte. As ‘acusações’ e especulações da mídia, apesar de me chatearem, são muito secundárias”, escreveu Kate McCann.
“Estou apelando a você como ser humano para que trabalhe com a gente (se possível, nos inclua) e para que se lembre que, como pais, nós temos necessidades…”
“A falta de comunicação e o vácuo de informação, particularmente para os pais de uma criança desaparecida, é tortura.”
Família de Maddie critica polícia por omissão de pistas
A família de Madeleine McCann criticou a polícia portuguesa por omitir pistas importantes durante a investigação do desaparecimento da menina britânica, aos três anos de idade, em um hotel na Praia da Luz, em Portugal, em maio do ano passado.
Com a abertura dos arquivos secretos da polícia, na segunda-feira, a família ficou sabendo que em junho do ano passado uma menina que disse se chamar “Maddie” foi vista em uma loja na Holanda, dizendo ter sido “levada de suas férias”.
O porta-voz do casal McCann, Clarence Mitchell, disse que é “trágico” que pistas como essas só tenham sido divulgadas agora.
Detetives particulares contratados pela família já estariam analisando a informação. Com a liberação dos arquivos, os pais de Maddie acusam a polícia de não ter revelado para eles pistas potencialmente cruciais durante o processo.
‘Angustiante’
Segundo um dos documentos, uma vendedora de 41 anos, identificada como Anna Stam, disse ter falado com uma menina de três ou quatro anos de idade em Amsterdã, que se parecia com a britânica desaparecida, e que teria dito se chamar “Maddie”.
Em resposta a pergunta sobre sua mãe, a menina teria dito “me tiraram de minhas férias”.
A informação foi enviada para Portugal em 18 de junho do ano passado, mas os documentos da polícia não esclarecem o que foi feito a respeito.
Segundo o porta-voz, “é angustiante ouvir uma criança dizendo isso. Se era a Madeleine, é uma desgraça que a informação não tenha sido passada”.
“Nós agora precisamos saber o que foi feito disso. Este é exatamente o tipo de informação primária que precisamos saber se foi propriamente seguida pela polícia.”
“Esse é o tipo de informação que os detetives particulares vão investigar, caso não tenha sido seguida pela polícia”, disse Mitchell.
O inquérito português sobre o desaparecimento de Madeleine McCann foi encerrado no mês passado sem nenhuma conclusão formal. Os pais de Maddie, Gerry and Kate, e outro britânico, Robert Murat, apontados como suspeitos, mas que sempre negaram qualquer envolvimento no caso, foram declarados pela polícia não ser mais suspeitos.
Entre os documentos liberados havia um relatório da promotoria afirmando que a investigação encontrou “pouquíssimas” conclusões sobre o destino da menina.
Os arquivos da polícia ainda mostram imagens de uma câmera de segurança de uma menina parecida com Maddie em um posto de gasolina na região do Algarve, onde ela passava férias com os pais, no dia seguinte ao seu desaparecimento. Os pais ainda não haviam visto as imagens.
Os arquivos ainda mostram retratos falados bastante precisos de dois suspeitos, que nunca foram divulgados.
Várias outras denúncias de que Maddie teria sido vista em países europeus e africanos foram investigadas por autoridades locais ou pelos detetives particulares, mas não deram nenhum resultado.
Fonte: BBCBrasil