Acusado de assassinar a ex-companheira e a filha dela de 13 anos, R.H.S.R., mais conhecido como ‘Perema’, de 21 anos, foi preso em Marudá no final da manhã de ontem. Ele se entregou à Polícia com a condição que fosse encaminhado para a Superintendência de Castanhal. O crime ocorreu na madrugada da última segunda-feira, na área de ocupação do Cafezal, em Marudá, município de Marapanim.
Elisandra Silva Siqueira, de 34 anos e a filha dela, L.S.V., 13 anos, foram assassinadas a golpes de terçado. Além de ter sido violentada sexualmente, a adolescente foi atingida com um violento golpe na cabeça e estava nua sobre a cama quando foi encontrada. Elisandra foi amordaçada, teve os pés e mãos amarrados e recebeu várias estocadas de terçado. Os corpos foram encontrados por volta das 11 horas de segunda-feira.
Testemunhas relataram que viram R. no local do crime algumas horas antes, naquele mesmo dia. A Polícia já ouviu quatro pessoas, e mais seis deverão testemunhar. Com medo de ser morto por populares revoltados, ‘Perema’ resolveu se entregar, mas nega a autoria do crime. Ele disse que estava na casa da avó dele e não esteve na casa onde mãe e filha moravam. A prisão preventiva dele já estava decretada pela Justiça.
R. contou que viveu maritalmente com Elisandra por dois anos e meio. Antes do crime, eles estavam separados havia uma semana. O acusado disse que se separou de Elisandra por causa de ciúmes. ‘Ela brigava comigo porque eu saía escondido e ela não gostava’, contou. R. também afirmou que a separação ocorreu amigavelmente e que não tinha nenhum motivo para assassinar a ex-companheira e a adolescente. ‘Eu me entreguei pra esclarecer essa situação, porque eu não matei ninguém’, afirmou.
‘Perema’ foi levado para a Superintendência da Polícia em Castanhal pelo capitão Vallinoto, da 6ª Zona de Policiamento (Zpol). O capitão faz parte da equipe de policiais militares que faz o reforço do policiamento em Marudá.
NEGOCIAÇÃO
Vallinoto relatou que familiares do acusado procuraram a Polícia dizendo que ele queria se entregar. ‘Os familiares disseram que R. se entregaria desde que fosse levado para Castanhal. Se ficasse em Marudá, ele poderia até ser morto na mão de populares’, disse o capitão.
Segundo informações da Polícia Civil, desde o dia do crime R. foi apontado como autor do duplo homicídio. Vizinhos das vítimas viram o acusado no local. A prisão preventiva dele foi decretada pela juíza Maria Aparecida, da Comarca de Marapanim. O delegado Paulo Henrique Júnior, que preside o inquérito policial, garantiu que o caso deverá estar solucionado dentro de aproximadamente dez dias. ‘Estamos aguardando o resultado de alguns exames solicitados ao IML, inclusive de DNA. Também iremos ouvir outras testemunhas’, diz. Na tarde de ontem, o delegado ouviu o depoimento de R., que negou o crime.
FACÃO
Paulo Henrique Júnior afirmou que as investigações continuam para descobrir se foi mesmo R. quem cometeu o duplo homicídio. E, caso tenha sido, se ele agiu sozinho. ‘Temos muitos indícios de que ele (Rogério) seja o autor do crime, mas devemos ser cautelosos e aguardar os resultados dos exames e ouvir outras testemunhas. Caso nossas suspeitas se confirmem, o acusado deverá responder por duplo homicídio triplamente qualificado’, disse.
No local do crime, um barraco de madeira de apenas um compartimento, foi recolhido o terçado usado pelo assassino. O objeto foi encaminhado para perícia. ‘Todos os exames e procedimentos necessários estão sendo feitos para que possamos dar uma resposta para a sociedade, que ficou chocada com este duplo homicídio’, disse o delegado. Segundo ele, é uma questão de tempo para que o crime seja completamente esclarecido.
Ontem, o delegado Paulo Henrique Júnior ouviu o acusado em Castanhal e retornaria para Marudá, para que ouvisse mais testemunhas do caso. Segundo ele, os vizinhos da vítima estão sendo ouvidos, pois alguns relataram que viram R. na casa de Elisandra na noite de domingo e também na manhã de segunda-feira. Segundo as primeiras informações da perícia, mãe e filha foram mortas entre meia noite e uma hora da madrugada.
Fonte: O Liberal