Pais procuram informação sobre os perigos da divulgação de dados pessoais
A vontade de conhecer melhor os perigos da divulgação de dados pessoais, sobretudo na internet, tem levado muitos pais a recorrer ao projeto Dadus, uma iniciativa da Comissão Nacional de Proteção de Dados dirigida às crianças.
Só no fórum de pais, criado no final de agosto, o projeto já registrou 10 mil entradas.
Pensado para professores e alunos do 2º e 3º ciclos e destinado na sua essência a alunos e professores, o Dadus foi criado pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), no intuito de sensibilizar crianças e jovens para as questões de proteção de dados e da privacidade.
Contudo, muitos pais têm vindo a recorrer ao projeto com dúvidas e pedidos de esclarecimento, o que levou à criação de um Fórum de discussão de material informativo dirigido especificamente aos progenitores.
“Dada a procura, desenvolvemos para os pais conteúdos informativos de uma forma simples e sintetizada para atingir um vasto público, chegando a pessoas que não dominam tão estas áreas”, explicou à Lusa Clara Guerra, da Comissão Nacional de Proteção de Dados.
A adesão quer dos pais quer das escolas, acrescentou, foi superior às expectativas.
Apesar desta procura os pais portugueses continuam a ser em quase toda a Europa, os que menos conhecem o que os seus filhos fazem on-line.
Um estudo europeu agora divulgado dá conta desta situação e diz ainda que Portugal é também, a par da Polônia, o país onde as crianças e jovens portugueses utilizam mais as novas tecnologias do que os adultos, um dado que segundo a investigadora responsável pela equipe portuguesa, revela uma necessidade urgente de formação tecnológica dos pais lusos.
O Dadus, projeto pioneiro a nível europeu, representa um investimento nas novas gerações, já nascidas na era digital, para que cresçam sabendo usar da melhor maneira todos os instrumentos que têm à sua disposição e para que sejam conhecedoras dos seus direitos fundamentais.
Desde o início do projeto já se inscreveram 1300 professores de escolas de todo o país.
O crescente uso da internet, quer pelas crianças e jovens quer por adultos, obrigou a que a sociedade criasse sistemas de bloqueio de conteúdo ilegais.
Em Portugal, a linha alerta Internet Segura, criada em 2007, tem como missão bloquear esses conteúdos e fazer a acusação criminal de quem publica este tipo de conteúdos.
Esta missão é cumprida mediante o fornecimento às autoridades policiais portuguesas de informação reunida de denúncias recebidas e da colaboração com os ISPs (Internet Service Providers) nacionais para a rápida remoção desses conteúdos.
Para levar a cabo esta atividade, o serviço Linha Alerta disponibiliza ao público em geral um conjunto de meios através dos quais, e de forma totalmente anônima, é possível apresentar denúncias de conteúdos ilegais: pornografia infantil, apologia da violência, apologia do racismo.
Em pouco mais de um ano, o site da Linha Alerta tem vindo a conquistar espaço como plataforma para a denúncia de crimes na internet e, segundo o jornal Público, o serviço já contabilizou 1,226 denúncias no segundo semestre do ano passado e 1,336 denúncias desde o início de 2008 até agosto.
Em média, são recebidos 167 casos novos por mês, a maioria relacionados com pedofilia.
Fonte: Diário dos Açores
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