Os advogados de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá devem pedir a criação de uma animação em computação gráfica para rebater o vídeo elaborado para ilustrar a versão da polícia, sobre a morte de Isabella Nardoni, 5 anos, atirada da janela do sexto andar do Residencial London, na Vila Mazzei, zona norte da capital, onde o casal morava. O crime aconteceu em 29 de março deste ano.
O vídeo produzido a pedido do Instituto de Criminalística (IC) foi exibido no domingo no programa Fantástico, da Rede Globo. Ele foi baseado em depoimentos, laudos e vestígios da cena do crime. Os personagens não têm as mesmas características dos envolvidos, e alguns deles foram omitidos para facilitar a visualização das cenas.
A ação começa na garagem do edifício, quando Alexandre desliga o Ford Ka e em seguida Anna agride Isabella, com um objeto pontiagudo que poderia ser uma chave, o que provoca o ferimento na testa. O pai pega a menina no colo e a leva até o apartamento. Ele atira com violência a filha no chão da sala, ocasionando, segundo a polícia, as fraturas num dos punhos e na bacia e lesão na vulva.
“Nem um lutador de boxe jogando a menina provocaria esses ferimentos na vítima. Devemos pedir a criação de uma animação para rebater essa versão da polícia”, disse o principal advogado do casal, Marco Polo Levorin.
Em seguida, as imagens representam Anna esganando a vítima.
“Questionamos se houve a esganadura. As marcas aparecem na região da nuca e não em torno do pescoço”, afirmou o advogado. Alexandre tenta cortar com uma faca e depois com uma tesoura a rede protetora da janela do quarto dos filhos do casal. E em seguida, ele sobe na cama, com a menina nos braços. Se aproxima da janela, passa Isabella pelo buraco da rede e a solta pelos braços. O vídeo termina com o porteiro, que escuta o estrondo do impacto do corpo da menina no jardim. Ele abre a janela e interfona para o síndico, que mora no primeiro andar, para que ele peça socorro.
“É estranho dizerem que há sangue no carro, no corredor do apartamento, no quarto e em nenhum momento há uma gota de sangue na camiseta do Alexandre”, apontou Levorin.
O promotor do caso, Francisco Cembranelli, foi procurado para comentar o vídeo. Segundo a assessoria do Ministério Público, o promotor está em férias. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) preferiu não comentar o caso.
Para o presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), o desembargador Henrique Nelson Calandra, as animações podem ser usadas, mas com ressalva: “O recurso tem de ser fiel ao que foi documentado”, disse Calandra.
O advogado criminalista e professor em direto penal da PUC-SP Alberto Zacharias Toron analisa com cautela. “A animação gráfica pode confundir os jurados e condenar inocentes”, disse ele.
Fonte: Correio da Bahia